Treinamento inédito em Dragon Boat, uma das atrações do Festival Ka Ora Brasil

Tambor Maori para marcar o ritmo das canoístas. Foto Ivan Storti

Tambor Maori para marcar o ritmo das canoístas. Foto Ivan Storti

A batida do tambor ‘maori’ deu início às primeiras remadas, em um dia histórico para a canoagem brasileira. Na manhã desta segunda-feira (17), 20 mulheres sobreviventes do câncer de mama participaram de um treinamento inédito em ‘Dragon Boat‘, uma embarcação milenar de origem chinesa, que será a atração do 1º Festival Ka Ora Brasil Baixada Santista, nos próximos dias 22 e 23, em São Vicente. A preparação, que é um aquecimento para a competição deste domingo (23), foi realizada na saída da rampa do Píer 27, em Guarujá.

O dia ensolarado alegrou ainda mais as participantes, maior parte delas ligada ao Instituto Neo Mama, um dos apoiadores do evento. “A gente fica imaginando como vai ser gostoso competir no fim de semana, com todo esse barco enfeitado, com a batida do tambor em sincronia“, afirma a aposentada Jandira de Oliveira Gomes, de 71 anos. Para ela, ser sobrevivente do câncer fez com que contemplasse ainda mais sua primeira experiência na embarcação. “É incrível como a gente se sente mais disposta para fazer diversas atividades, mesmo durante e depois dos tratamentos“, afirma.

A união faz a força. Foto Ivan Storti

A união faz a força. Foto Ivan Storti

Na canoagem, o segredo é a sincronia das remadas, que foram coordenadas pelo engajado canoísta Fábio Paiva, organizador do evento. Mas as estratégias para vencer nessa prova de celebração à vida, são pessoais, geralmente estampadas com um largo sorriso no rosto de cada participante, carregando suas histórias de superação. Uma delas é da professora Wilma Aparecida Guimarães, de 54 anos. Ela descobriu o câncer de mama em 2010, após uns exames de rotina feitos em decorrência de um líquido que passou a escorrer no bico do seio esquerdo. Sem fazer nenhum procedimento mais avançado a princípio, como rádio e quimioterapia, descobriu uma contaminação novamente no bico esquerdo quatro anos depois. “Meu médico disse que o segredo para a minha cura estaria nas atividades esportivas, então a canoagem vai ser um grande estímulo. Até meus filhos brincam, se perguntam como é possível ficar mais ativa do que já sou“, diz Wilma, aos risos.

Foto Ivan Storti.

Foto Ivan Storti.

O dia de treinos também recebeu uma convidada especial, que também vai competir no fim de semana. A jornalista Vanessa Faro, apresentadora do programa “Corpo em Ação” da TV Tribuna (afiliada TV Globo), vai unir a paixão pelo esporte e o ofício, em mais uma reportagem “participativa” que a sensibilizou. “Essas mulheres têm uma energia contagiante, têm um brilho a mais. A energia que senti dentro da embarcação foi ímpar, maior do que em qualquer outro esporte que eu tenha praticado no dia a dia“, explicou Vanessa, que tem na história de sua saudosa mãe, Maria Faro, a motivação principal para a regata deste domingo: descobriu um câncer de mama, de forma tardia. “Lembro de uma passagem dela, durante sua recuperação, em que eu a levei para a praia. Minha mãe parecia uma criança, de tanta alegria de ver o mar, tanto é que depois ela saiu me dando um abraço forte, agradecendo a mim por tê-la levado lá, que foi quando descobri que um mergulho no mar faz a diferença no nosso cotidiano“, conta.

As regatas serão realizadas no domingo, a partir das 9 horas, mas na véspera os atletas poderão se adaptar às canoas na parte da manhã. Nesse mesmo período, as representantes do IBCPC promoverão uma palestra explicando a relação do Dragon Boat, técnicas de remadas e, de tarde, todas vão para o mar para um treino. “Os benefícios são para elas, mas o grande beneficiado dessa história sou eu. A gratidão por realizar esse evento é incrível, não tem preço. São muitas histórias de vida, e finalmente descobri no Dragon Boat a motivação para fazer a diferença na vida de grandes mulheres vitoriosas”, acredita Fábio Paiva, organizador do evento.

Foto Ivan Storti.

Foto Ivan Storti.

O Dragon Boat comporta 22 pessoas, sendo 20 remando (dez de cada lado), uma no leme e uma no tambor, uma tradição milenar, responsável pelo ritmo das remadas. Na competição, as equipes de sobreviventes contarão com 16 remadoras. Na Sorteio serão dez (seis homens e quatro mulheres). Em cada categoria, os dois melhores tempos seguem direto para a decisão e o terceiro finalista será definido numa repescagem.

PALESTRA

Junto ao evento competitivo, o 1º Festival Ka Ora Brasil Baixada Santista terá uma importante palestra com o médico Donald McKenzie, PHD, professor no Departamento de Medicina Esportiva da Universidade de British Columbia, que defende o exercício da remada como grande benefício da recuperação da doença. Ele abordará o tema Remar em Dragon Boats é Medicina. O encontro aberto a todos interessados e com entrada gratuita será na sexta-feira (21), às 20 horas no anfiteatro do Sesc Santos, no bairro Aparecida. Os convites devem ser retirados na loja Opium Hightech Line (Av. Bartolomeu de Gusmão, 127).

Interessados em participar da competição têm até segunda-feira (17) para se inscrever. Sobreviventes do câncer de mama, que desejam remar pela categoria Ka Ora, não pagam a inscrição. Outras informações pelo telefone (13) 3261-2229.

O 1° Festival Ka Ora Brasil Baixada Santista é uma realização da Canoa Brasil, com os patrocínios da Transbrasa e Proplastik Produtos Naturais. Apoios do Colégio Jean Piaget, Píer 27, Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Hospital Sírio-Libanês. Apoios institucionais da UNIFESP, Sesc Santos, TV Tribuna, ICESP, Instituto Neo Mama, 98 FM e Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer de São Vicente – SESPOTUR.

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