Transat Jacques Vabre: mar revolto e desistências podem aumentar

IMOCA Banque Populaire, de Armel Le Cléac'h e Erwan Tabarly. Foto Thiery Martinez

IMOCA Banque Populaire, de Armel Le Cléac’h e Erwan Tabarly. Foto Thiery Martinez

A edição 2015 da Transat Jacques Vabre pode ser considerada uma das mais difíceis e impiedosas para os velejadores. Até o início da tarde desta quinta-feira (29), sete dos 42 barcos que largaram no último domingo (25) em Le Havre, na França, com destino a Itajaí, no Brasil, desistiram por quebras ou capotagem. Outros três podem deixar a prova nas próximas horas após pit-stops programados em portos da Europa.

O principal motivo é a força dos ventos e o tamanho das ondas no chamado Golfo de Biscaia, que fica entre o Nordeste da França e o Norte da Espanha. A previsão de mau tempo se concretizou na região e resultou em sérios problemas para as duplas que participam da prova. “É uma travessia muito longa e complicada. Confesso que fiquei preocupado quando recebi a previsão da meteorologia antes da largada, mesmo sabendo que é uma tradição da Transat pegar frentes frias pelo caminho“, disse o campeão olímpico Eduardo Penido, que faz dupla com Renato Araújo a bordo do Zetra, único barco 100% brasileiro da história da Transat Jacques Vabre.

Vela grande rasgada. Foto Divulgação/ Transat Jacques Vabre

Vela grande rasgada. Foto Divulgação/ Transat Jacques Vabre

A edição de 2013, que teve o mesmo percurso de 10 mil quilômetros entre a França e o Brasil, registrou apenas três desistências. A temporada mais dura foi a de 2011 com 15 quebras. Naquele ano, mais de 40% da flotilha não chegou a Costa Rica. O espanhol Guilhermo Altadill, velejador do Hugo Boss, afirma que não existe Transat Jacques Vabre sem tempo ruim. Ele e seu companheiro britânico Alex Thomson foram obrigados a mudar o curso para fazer uma parada e consertar o barco da IMOCA em Vigo, na Espanha. “As condições meteorológicas nessa época do ano são assim e é uma tradição da prova pegar pelo menos duas frentes frias no início da regata. É preciso passar por isso para encontrar uma melhor navegação“.

O caso mais complicado até agora foi do barco Maxi80 Prince de Bretagne. Os velejadores foram resgatados em segurança após o multicasco capotar. A dupla se abrigou no interior do trimarã e acionou o sinal de emergência. Horas depois, os franceses foram salvos por um helicóptero do centro de coordenação de salvamento marítimo da Espanha (MRCC).

Foto Divulgação/Transat Jacques Vabre.

Foto Divulgação/Transat Jacques Vabre.

O La French Tech Rennes Saint-Malo colidiu em um contêiner e também foi obrigado a sair da regata. Outros veleiros estão a caminho de terra para tentar fazer os reparos necessários e seguir viagem.

Líderes após quatro dias de regata

Os Ultimes, modernos e velozes trimarãs de 30 metros, aceleram para Itajaí e já se aproximam da chamada zona do Doldrums, uma área de pouco vento próxima a linha do Equador. Sodebo e Macif, primeiro e segundo respectivamente, passaram pelas Ilhas Canárias e continuam beirando a costa africana na altura de Marrocos. O líder Sodebo já dá sinais de corrigir o rumo e seguir mais para Oeste.

Na IMOCA 60, os barcos PRB, Banque Populaire, Queguiner e SMA ultrapassaram os Açores e dão indícios de que permanecerão no meio do Atlântico na rota até Itajaí, estratégia diferente dos Ultimes, que estão rentes à costa da África.

Na Multi50, o Ciela Village segurou a liderança nas últimas 48 horas, mas o FenêtréA Prysmian reduziu vantagem e pode tomar a ponta a qualquer momento. Os multicascos também estão na região dos Açores.

Na Class40, categoria que tem o barco brasileiro Zetra na sétima posição provisoriamente, Le Conservateur e V and B estão literalmente empatados. A velocidade média nas últimas 24 horas dos dois foi praticamente igual, mostrando que a disputa tem tudo para ser grande até a chegada em Itajaí (SC). O Zetra está mais de 160 quilômetros atrás dos ponteiros.

Mais informações no site www.transat-jacques-vabre.com/br
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