Os 10 momentos marcantes do Oi Rio Pro 2015

Filipe Toledo e Bed Durbidge durante a premiação. Foto WSL/Kelly Cestari

Filipe Toledo e Bed Durbidge durante a premiação. Foto WSL/Kelly Cestari

Se você não acompanhou os sete dias de Oi Rio Pro, etapa brasileira do Samsung Galaxi World Surf League Championship Tour 2015, eis aqui uma chance de compreender aqui o tamanho do “estrago” feito pelos melhores surfistas do mundo na Cidade Maravilhosa. Estrago no bom sentido, pois foram dias de praias lotadas, altas ondas e muita vibração com o desempenho dos brasileiros, em particular, do campeão Filipe Toledo.

Listei 10 fatos que não podem passar despercebido daquela que já é chamada da etapa mais calorosa do circuito mundial!

1 – TORCIDA APAIXONADA

Milhares de pessoas lotaram as areias da Barra da Tijuca para acompanhar a vitória do paulista Filipe Toledo. Os seguranças nunca trabalharam tanto para manter os surfistas “livres de obstáculos” nas entradas e saídas das baterias. A loucura foi tanta que o próprio Filipinho teve dificuldades para sair do mar após a conquista do título. Na areia, havia torcida uniformizada, parangolés e bandeiras e centenas de paus de selfie que transformaram a Barra da Tijuca em uma arquibancada de estádio de futebol. Não há dúvidas de que o surfe está massificado, resta saber só por quanto tempo.

Mar de gente na Barra da Tijuca. Foto Alexandre Salem/WSL

Mar de gente na Barra da Tijuca. Foto Alexandre Salem/WSL

Filipinho acuado no jet e os fãs querendo invadir o mar. Foto Alexandre Salem/WSL

Filipinho acuado no jet e os fãs querendo invadir o mar. Foto Alexandre Salem/WSL

2 – FILIPE TOLEDO – OUTRO NÍVEL

A final já explica um pouco esse tópico. Mas assim como aconteceu em Lowers Trestles, Filipe Toledo mostrou que está em um nível acima em ondas de até quatro pés. Naquele mar, com aquelas condições, jamais o australiano Bede Durbidge ganharia do brasileiro (agora até é fácil escrever, rsrs). Com suas manobras progressivas e muita velocidade, Filipe é o surfista que está fazendo o esporte adquirir um novo nível.

Dois aéreos em uma onda, como fez na final para levar seu segundo 10 no evento, já não é mais novidade para o atleta. Em Lowers Trestles, ele chegou a mandar três na mesma onda. Filipe Toledo atualmente é o surfista que está dando show da World Surf League.

3 – KELLY SLATER VEIO E MARCOU PRESENÇA

Autor da única nota 10 em 2014, o americano Kelly Slater chegou perto em 2015 e, apesar de não ter conquistado um bom resultado – foi eliminado na sua segunda apresentação, no Round 3 – deu seu showzinho particular na Barra da Tijuca no primeiro dia, quando pegou dois tubos e somou 9.77 e 9.50 para vencer a bateria de estreia contra Adrian Buchan (AUS) e Ricardo Christie (NZL). Para completar, ele também foi o personagem da melhor foto do evento, na minha opinião, feita por Daniel Smorigo.

Kelly dentro do tubo na Barra. Foto Daniel Smorigo/WSL

Kelly dentro do tubo na Barra. Foto Daniel Smorigo/WSL

4 – O “RODEO” DE JOHN JOHN FLORENCE

A manobra nem é lá essas coisas. É mais plástica do que difícil para a maioria dos talentosos surfistas, mas faz parte do repertório do jovem havaiano que parece surfar sempre de forma despretensiosa. John John aplicou a manobra na abertura do Round 3 para acordar a torcida brasileira na quarta-feira, em duelo contra o australiano Adam Melling. Campeão do evento em 2010, John John acabou atropelado pelo potiguar Ítalo Ferreira no Round 5 no sábado e finalizou o evento em 9º lugar.

5 – A VACA INUSITADA DE JOEL PARKINSON

A utilidade do jet ski nas competições de surfe profissional não se discute. As máquinas deixam o evento mais dinâmico e são necessárias em condições pesadas. O australiano Joel Parkinson é que não teve muita sorte com o “serviço” no Rio, na sua bateria pelo Round 2. Ele precisava voltar para o outside para tentar a virada a poucos minutos do fim do duelo contra o havaiano Keanu Asing e insistiu com o piloto para retornar rapidamente. As ondas não paravam e uma delas quase virou o jet ski derrubando o surfista na água. O ex-campeão mundial ficou injuriado e foi derrotado por uma diferença da 0.10 (9.60 a 9.50). É, quando a é fase ruim, tudo pode acontecer.

6 – FREESURF DE KELLY E JOHN JOHN EM COPA

O freesurfe dos tops é sempre uma atração nas paradas do circuito mundial e no Rio não foi diferente, com apenas um detalhe: foi realizada na icônica praia de Copacabana, berço do bodyboard nacional, e no posto 5, pico que quebra raramente, com grandes ondulações. Kelly e John John encararam as cracas e quem testemunhou nunca vai esquecer. Tudo bem que o fato está fora do Oi Rio Pro, mas só aconteceu porque os melhores do mundo estavam aqui.

7 – TUBO SECO DE MICK FANNING

A competição havia sido retomada com a segunda fase, primeira fase eliminatória, após um dia de mar mexido e muita correnteza. Havia dúvidas ainda sobre a qualidade das ondas, mas o australiano Mick Fanning resolveu a incerteza ao descolar um longo tubo, passando toda a seção, para levar 9.80, e praticamente sacramentar a vitória contra o brasileiro David do Carmo. O certo é que o dia transcorreu e ninguém descolou um tubo igual.

Mick ficou próximo da perfeição. Foto WSL

Mick ficou próximo da perfeição. Foto WSL

8 – SURPRESAS NO EVENTO

O Oi Rio Pro foi marcado por eliminações precoces como as de Adriano de Souza, Gabriel Medina, Kelly Slater, Joel Parkinson e Taj Burrow. E também com pelo menos três surpresas: o australiano Matt Wilkinson, o neozelandês Ricardo Christie e o havaiano Keanu Asing. Os três atletas conseguiram seus melhores resultados na temporada. Com um surfe bem prevísivel, Wilko dificilmente vai repetir uma semifinal em 2015. Já Ricardo Christie eliminou Adriano de Souza com autoridade no Round 3, enquanto o baixinho havaiano superou Gabriel Medina em uma disputa equilibrada também na terceira fase.

Wilko foi comando pelas beiradas e chegou na semi. Foto Daniel Smorigo/WSL

Wilko foi comando pelas beiradas e chegou na semi. Foto Daniel Smorigo/WSL

9 – A TRANSMISSÃO INCLUSIVA

Os gringos deram um show de transmissão, com entrevistas dentro da água de Rosie Hodge com os campeões Filipe Toledo e Courtney Conlogue, com as imagens de câmera lenta, e as intervenções do comentarista Strider Wasilevski , que sempre procurava uma forma diferente de mostrar a paixão brasileira pelo surfe ao mundo. Pelo lado português da transmissão, grande acréscimo com os comentários de Fábio Gouveia, que além de todo histórico, mantém o bom humor e o alto astral da transmissão. E as expressões em inglês – ou estrangeirismo – também diminuíram. Não foram raras as vezes que ouvi o Pedro Muller dizer “Entrou e saiu da onda”, ao invés da expressão “In and Out”.

A ex-surfista e atual repórter da WSL Rosie Hodge e os finalistas do evento. Foto WSL/Daniel Smorigo

A ex-surfista e atual repórter da WSL Rosie Hodge e os finalistas do evento. Foto WSL/Daniel Smorigo

10 – DISCUSSÃO NAS INTERNAS

Nem tudo foi tranquilo para o campeão Filipe Toledo. No segundo dia do evento, um desentendimento entre a “crew” do surfista de Ubatuba e a organização do evento ganhou as redes sociais e escapou da cobertura oficial do Oi Rio Pro por motivos óbvios. Após vencer a bateria da terceira fase, Filipinho teria sido impedido de jogar a lycra para a galera por um dos detentores da licença do evento, o catarinense Alexandre Fontes. O ex-presidente da Fecasurf estava preocupado com um possível e provável tumulto na beira da praia causado na disputa pela camisa, situação que foi mal recebida pela entourage do surfista.

Olá, você está curtindo o blog? Deixe o seu comentário!