Brazilian Storm é a nova força do surfe mundial

Antes era apenas uma brincadeira, um apelido. Agora não há mais dúvidas sobre o potencial da Brazilian Storm. Assim como os australianos ficaram marcados no final da década de 70 e voltaram a chamar a atenção com os Coolie Kids nos início dos anos 2000, chegou a vez dos brasileiros serem reconhecidosno cenário do surfe mundial com um grupo de surfistas diferenciado. E não sou eu quem estou dizendo isso. São três dos principais sites gringos especializados que evitaram centrar a cobertura da conquista do Quiksilver Pro Gold Coast no talento individual de Filipe Toledo e preferiram reconhecer a ascensão brasileira no circuito mundial de surfe. Confira os que eles disseram:

Página da Surfer - Reprodução

Página da Surfer – Reprodução


Surfer Magazine

No artigo intitulado “Nova autoria na Gold Coast”, o articulista Sean Doherty diz que conheceu Filipe em 2010, em um evento para grommets na França. Na ocasião, ele viu um surfista pequeno fisicamente para os seus 15 anos, mas parecendo ser mais velho no olhar. Segundo Doherty, Filipe cresceu, mas mantém a arrogância de quem sabe o que quer e o que precisa ser feito no outside.

Para o articulista, falta de confiança não é problema para Filipe, que aproveitou a chance em Snapper Rocks, quando nomes de peso como Slater, Parko, Mick e o próprio Medina foram eliminados. Para Sean, Filipe não deverá sentir a pressão normalmente despejada nas costas de vitoriosos novos talentos, porque “nasceu pronto” e poderá repetir a boa atuação de Snapper em outros picos como Fiji e Teahupoo, assim como Medina fez em 2014.

Falando no campeão mundial, Doherty perde boa parte do tempo criticando a entrevista concedida por Medina. Segundo ele, o brasileiro pediu desculpas no dia seguinte para evitar uma possível sansão da WSL. O articulista ainda ressaltou que o comissário Kieren Perrow teve que lidar com a “pior previsão das condições das ondas em um evento profissional nos últimos anos”.

Capa do slideshow da Surfline - Reprodução

Capa do slideshow da Surfline – Reprodução

SurfLine

O site americano ilustra a vitória de Filipe com um slide show intitulado “Filipe The Freak”, assinado pelo jornalista australiano Nick Carrol, irmão do bicampeão mundial Tom Carrol e talvez o jornalista de surfe mais respeitado do mundo. Para Nick, a vitória de Filipe é a prova concreta de que o surfe é um esporte globalizado e assim como aconteceu com os Cooly Kids em 2000 (Mick, Parko, Dean Morrison), agora é a vez da turma do Carnaval (“Carnivale crew”) aproveitar as oportunidades.

Para Nick, a vitória de Medina em 2014 não foi casualidade, nem o título de Toledo, a que chama de “aberração”. Sobre a final, Nick disse que Julian tinha um clara percepção do que acontecia no mar e precisava de apenas uma boa onda para vencer. Mas enquanto o australiano ficou esperando a onda do título, Filipe foi surfando até garantir a vitória.

Com bom humor, Nick relata que é legal falar com o campeão, mas que raramente eles dizem alguma coisa interessante naquele momento. Por isso se deteve em conferir a prancha usada por Filipe, uma 5’9 squash shapeada por Marcio Zouvi, da SharpEye, fábrica de San Diego, na Califórnia. Para completar, Nick afirma que ninguém conseguiu surfar mais do que Filipe e que as ondas de Snapper foram um verdadeiro tapete para suas apresentações.

Página da Surfing Life - Reprodução

Página da Surfing Life – Reprodução


Surfing Life

O site australiano dedicou duas páginas -uma com entrevista feita com Filipe Toledo ainda no pódio, após a vitória, e outra com um texto longo e pouco específico de Wade Davis intitulado “Sem abrigo para a tempestade”, numa referência aos resultados da Brazilian Storm no circuito mundial de surfe e no Quiksilver Pro, com três dos quatros semifinalistas do evento.

Depois de divagar sobre o período de espera e a dificuldade de manter o público australiano ligado na competição, Wade lembrou que Nick Carrol havia dito que Gabriel Medina abriu o portão para qualquer surfista de fora dos países do eixo Austrália-EUA. Neste caso, a vitória de Filipe reforçaria essa tese. Wade também brinca com a descrição da festa brasileira na areia e que no Brasil há algo mais – no caso, surfe de alto nível – do que aquilo que está nos folhetos turísticos.

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